Como conseguir um
preço justo no seguro do carro
O valor do seguro não cai do céu, e também não é fixo. Ele sai de uma conta que leva em consideração coisas que você controla mais do que imagina.
Todo ano a cena se repete. Chega o aviso de renovação, você olha o valor e pensa a mesma coisa: por que subiu de novo, se eu não bati o carro? A resposta quase nunca é uma só, mas quase sempre tem um pedaço que está na sua mão.
Seguro não tem tabela. Duas pessoas com o mesmo carro, na mesma rua, podem pagar valores bem diferentes. O que a seguradora faz é calcular a chance de precisar pagar uma indenização para você e quanto isso custaria. Quanto mais previsível e menos arriscado for o seu retrato nessa conta, menor o preço.
Abaixo está o que realmente pesa nesse cálculo, o que dá para mexer e onde as pessoas perdem dinheiro sem perceber.
O que entra na conta do seu seguro
A seguradora olha três blocos: quem dirige, onde o carro vive e qual carro é. Cada um puxa o preço para cima ou para baixo.
Quem dirige
- Idade e tempo de habilitação. Condutor jovem ou recém-habilitado paga mais, porque estatisticamente se envolve em mais ocorrências.
- Quem mora com você. Ter alguém com menos de 26 anos na residência costuma encarecer, mesmo que essa pessoa não dirija o carro no dia a dia. É uma pergunta que aparece em toda cotação.
- Seu histórico. Anos sem acionar o seguro geram bônus. Esse bônus é seu, tem número, e acompanha você mesmo se trocar de seguradora ou de carro.
Onde o carro vive
- CEP de pernoite. É o endereço onde o carro dorme, e talvez seja o campo que mais mexe no preço. Índice de roubo do bairro entra direto na conta.
- Garagem. Ter garagem fechada em casa, no trabalho e no local de estudo reduz. Cada uma das três é perguntada separadamente.
- Quilometragem mensal. Quem roda pouco tem menos chance de se envolver em sinistro, e isso aparece no valor.
Qual carro é
- Modelo, versão e ano. Não é só o valor do carro. Um modelo muito visado por quadrilhas ou com peça cara pesa mais que outro do mesmo preço de tabela.
- Uso. Particular, trajeto de trabalho, uso comercial ou aplicativo mudam completamente o cálculo, e algumas seguradoras nem aceitam certos usos.
- Itens do veículo. Kit gás, blindagem e chassi remarcado alteram o preço e às vezes restringem quem aceita o risco.
Informar uso particular quando o carro roda em aplicativo parece economia na hora da cotação. Na hora do sinistro, é o tipo de divergência que leva a seguradora a negar a indenização. Barato ali, caríssimo depois. Informe o uso real e busque quem cobre ele.
O que realmente dá para negociar
Aqui está a parte que quase ninguém usa. Preço de seguro não é só aceitar ou recusar. Existem alavancas, e mexer nelas muda o valor final sem necessariamente piorar a sua proteção.
- A franquia. É quanto você paga do próprio bolso num conserto coberto. Aumentar a franquia derruba o valor da parcela. Faz sentido para quem tem uma reserva e não pretende acionar por arranhão. Só aceite um valor que você conseguiria pagar amanhã, se precisasse.
- As coberturas opcionais. Carro reserva por trinta dias, vidros, cobertura de app. Cada item tem preço. Vale perguntar quanto custa cada um separado, em vez de aceitar o pacote fechado.
- O limite para terceiros. É quanto a seguradora paga se você causar um dano a outra pessoa. Subir esse limite costuma custar pouco e é justamente onde mora o maior risco financeiro da sua vida no trânsito.
- O seu bônus. Se você tinha seguro em outra companhia, o bônus pode ser transferido. Muita gente perde anos de bônus por não pedir a transferência na hora da troca.
- A forma de pagamento. À vista costuma ter desconto. Parcelado em mais vezes pode ter acréscimo embutido que ninguém comenta.
Como comparar propostas sem se enganar
Esse é o erro mais caro e o mais comum: comparar dois seguros olhando só a parcela. Duas propostas com preços parecidos podem ser produtos completamente diferentes.
Antes de decidir, coloque as propostas lado a lado e compare estes cinco pontos:
- Valor da franquia. Uma proposta R$ 300 mais barata no ano com franquia R$ 2.000 maior não é mais barata.
- Como o carro é indenizado. Valor de mercado, que acompanha a tabela, ou valor determinado, fixado no contrato. São lógicas diferentes em caso de perda total.
- O limite para terceiros. Compare o teto de danos materiais, corporais e morais.
- Carro reserva. Quantos dias, e se vale para qualquer sinistro ou só para alguns.
- Assistência. Quantos quilômetros de reboque estão inclusos. Um reboque de 200 km e um de 50 km não são a mesma coisa em viagem.
Três hábitos que economizam todo ano
- Nunca deixe renovar no automático sem cotar. A renovação automática é cômoda e costuma ser a mais cara. Cotar de novo, todo ano, é o gesto que mais devolve dinheiro.
- Cote com antecedência. Procure fazer isso de duas a três semanas antes do vencimento. Em cima da hora, você decide com pressa, e pressa custa caro.
- Avise mudanças. Mudou de endereço, passou a ter garagem, o filho tirou carteira. Essas mudanças alteram o preço, para cima ou para baixo, e precisam estar corretas na apólice.
Preço baixo demais também é sinal
Desconfie da proposta muito abaixo das outras. Na maioria das vezes ela vem com franquia alta, limite de terceiros baixo ou sem assistência decente. Não existe mágica: o seguro caro demais tira dinheiro do seu bolso agora, e o barato demais tira na hora que você mais precisa.
O ponto justo é aquele em que você entende cada linha do que está contratando e aceita conscientemente cada valor. É isso que um corretor deveria fazer por você, e é isso que a gente faz.
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